Cesare Lattes

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Cesare Mansueto Giulio Lattes (1924-2005), físico formado pela USP em 1943, nasceu em Curitiba e quando jovem tinha planos de ser professor de escola secundária. Entretanto, teve participação decisiva em uma das descobertas mais importantes da física do século XX – a detecção da partícula méson-pi, responsável por manter prótons e nêutrons agregados nos núcleos atômicos.

Lattes chegou ao laboratório H.H. Wills, da Universidade de Bristol, em 1946, a convite de Giuseppe Occhialini, seu antigo professor na USP e de Cecil Powel, chefe da equipe.

Assim que chegou, placas fotográficas especiais que seriam usadas para capturar a trajetória e desintegração das partículas subatômicas estavam em fase de calibração e Lattes pôde por em prática sua ideia de estudar os raios cósmicos – núcleos atômicos que a toda hora chocavam-se com as moléculas da atmosfera ao penetrarem na terra à velocidade próxima da luz.  A equipe esperava que alguma parte dessa matéria pudesse ser uma partícula desconhecida.

O físico pediu aos fornecedores das chapas fotográficas que adicionassem bórax a sua composição, aumentando a sensibilidade e facilitando a visualização de partículas.

Lattes decidiu expor as chapas em montanhas – mais altitude, menos ar, mais raios cósmicos.  Inicialmente,  aproveitou uma viagem que Occhialini faria para esquiar em Pic du Midi nos Pirineus franceses (2500m de altitude).  Na volta, os dois cientistas perceberam que o bórax realmente produzia imagens mais nítidas e conseguiram identificar dois mésons pi, que posteriormente ilustraram um artigo da Nature.

Com  notável espírito empreendedor, Lattes montou um laboratório no Monte Chacaltaya, na Bolívia, que tinha 5500 metros de altura. No pico andino, o laboratório registrou centenas de mésons e revelaram-se  mais detalhes sobre as partículas.

Lattes deixou Bristol e foi para os EUA, em 1948, para detectar mésons no mais potente acelerador de partículas do mundo – o sincrociclótron, em Berkeley – Califórnia. Foi a primeira vez que os mésons foram produzidos artificialmente. Este feito foi comparado em importância ao da fissão do núcleo atômico.

Ele também fez descobertas relacionadas ao fenômeno Bolas de Fogo, nome dado às núvens de mésons dentro dos átomos.

O sucesso no exterior rendeu frutos em 1949, quando foi fundado o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), e Lattes foi seu diretor científico. Dedicava-se  com afinco à formação de novos pesquisadores.

Em 1959, voltou a trabalhar na USP com projetos experimentais, envolvendo o uso das placas fotográficas e os raios cósmicos.

Lattes impulsionou o campo de estudos no Brasil. Tornou-se ícone na produção científica mundial.

Ele recebeu títulos e prêmios, sete indicações ao Nobel;  e a plataforma acadêmica de currículos tem seu nome.

A história do físico mistura-se com a história da ciência no Brasil e no mundo.

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/06/1895455-quando-um-cientista-brasileiro-era-estrela-midiatica-e-concorreu-ao-nobel.shtml
http://lattes.cnpq.br/web/plataforma-lattes/cesare-giulo-lattes
Cesare Mansuetto Giulio Lattes: o gênio brasileiro

Patrícia Rati

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