Síndrome do Pânico Infantil

0

20170318_la_sindromepanicoinfantil

Uma criança começa a chamar a atenção dos pais por sua mania de reparar nos sinais do tempo; chuva, vento e trovoadas; e sua preocupação com os fenômenos se torna cada vez mais comum, até que se desencadeia uma crise de ansiedade no parque, quando, em um dia ensolarado, o tempo mudou.  A menina ficou aflita, respirava rapidamente, suava muito e tinha batimentos cardíacos acelerados. Ela correu para dentro, tentando levar consigo seus familiares. A partir desse dia, não conseguiu mais ficar ao ar livre.

Estes são sintomas comuns da Síndrome do Pânico Infantil, um transtorno de ansiedade que atualmente vem chamando a atenção dos especialistas.

Ao contrário dos adultos com a síndrome do pânico, as crianças, principalmente as menores, podem não perceber que seus medos são excessivos ou irracionais.  A síndrome na criança é semelhante à manifestação em adultos. É marcada por crises de ansiedade que variam de dez minutos até uma hora em casos graves; e pode ser muito assustadora para as crianças. Além da ansiedade costuma haver algum tipo de fobia.

Os sintomas – Se a criança tiver pelo menos quatro desses sintomas poderá estar sofrendo do transtorno: Extrema ansiedade, medo de morrer, agitação, sensação de perigo eminente, agressividade, medo de crise de ansiedade, taquicardia, sudorese, palpitação, tremores, calafrios, tonturas, falta de ar, formigamento, sensação de asfixia.

As crises podem ou não ser desencadeadas pelo foco do medo.

Para quem sofre da doença, o medo é real, o perigo existe. A angústia em torno desta certeza que envolve o pensamento a incapacita para as atividades do dia a dia.

Segundo o Professor Bruno Raffa, professor da residência em psiquiatria do Hospital São Lucas da PUGRS, em Porto Alegre, os comportamentos evitativos são sinais de transtornos de ansiedade que trazem uma preocupação excessiva em relação ao mundo. Ele cita alguns exemplos desses comportamentos: o medo da natureza, da violência urbana, de altura, de grupos ou de pessoas; medos que impedem o indivíduo de sair de casa.

Depois das primeiras vezes, a criança evitará as situações que deflagraram as crises por medo de sentir o que já sentiu, e assim vai limitando seu mundo. A longo prazo, pode ocorrer depressão ou abuso de bebidas e drogas, se não for feito tratamento adequado. E o isolamento auto-imposto provoca frustração.

Causas – Resultam da interação entre herança genética e a relação da pessoa com o meio ambiente. Famílias com histórico de transtorno de ansiedade têm maior chance de encontrar o transtorno em seus descendentes. Experiências traumáticas como bullying, assaltos, acidentes, testemunho de incêndios, além de pais ansiosos que passam para os filhos uma forma de encarar as situações de maneira estressante, podem aumentar a tendência ao transtorno. Se os pais são muito protetores ou a visão de mundo que a criança capta é muito negativa, ela pode ver tudo sob a ótica do medo, e acreditar que alguma coisa vai dar errado no futuro.

Tratamento – Sabe-se que os indivíduos, que tiveram transtornos de ansiedade em algum momento de suas vidas, estão propensos a terem novas manifestações. A longo prazo, a prática de exercícios físicos de yoga e meditação são boas orientações para controlar a ansiedade.  A psicoterapia, eventualmente associada ao uso de antidepressivos ou ansiolíticos, controla as manifestações da crise. Isso permite uma vida saudável.

Para crianças e adolescentes, além da psicoterapia e medicações, deve haver também orientação aos pais e intervenções na dinâmica familiar.  Na terapia, desloca-se o problema da criança para o transtorno, ensinando-se aos pais e à criança todos os aspectos da doença e fazendo intervenções com exposição ao estímulo fóbico e prevenção de resposta ao estímulo.  Cria-se na criança força para sobrepor-se às adversidades.  Medicamentos psicoativos não são considerados tratamento de primeira escolha para crianças e adolescentes.

E na hora da crise, levá-la para um lugar tranquilo, com poucos estímulos, e usar técnicas simples de respiração para relaxar, além de ajudá-la a pensar só em coisas boas, pode ajudar.

Patrícia Rati

Fontes:
https://drauziovarella.com.br/crianca-2/transtornos-ansiosos-na-infancia-e-adolescencia-aspectos-clinicos-e-neurobiologicos/
http://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,sindrome-do-panico-tambem-atinge-criancas,70001685667

Compartilhar.