Reconciliação Medicamentosa

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A reconciliação medicamentosa trata de aumentar a segurança dos pacientes. Realiza-se uma lista completa e precisa dos medicamentos de uso habitual de cada paciente, para posterior comparação com a prescrição, em todas as transições de cuidado (admissão, alta hospitalar ou transferência entre unidades de internação).

É um processo formal, que corrige erros eventuais em todas as interfaces da assistência prestada, checando-se o nome do paciente, a dosagem, a frequência e via de administração, comparando com a prescrição da admissão e a da alta hospitalar.

Mais da metade dos medicamentos em todo o mundo são prescritos, dispensados ou vendidos de forma inadequada. Poucos consomem 90% da produção farmacêutica, enquanto muitos não têm acesso a medicamentos.  Em 50% dos casos, pacientes tomam medicamentos de forma incorreta e utilizam medicamentos sem evidência clínica de patologias. Há muito de automedicação, consumo exagerado de remédios de eficácia e segurança duvidosa, uso irracional de antimicrobianos, anti-inflamatórios, benzodiazepínicos, antidepressivos e anfetaminas…

Há muitas falhas no monitoramento das prescrições de hipoglicemiantes, (causando hipo ou hiperglicemia),  diuréticos (com aumento ou diminuição da diurese), anticoagulantes (sangramentos); e falhas na profilaxia de tratamentos com anti-inflamatórios (toxicidade gastrointestinal), levando a internação hospitalar.

O uso inadequado de medicamento em idosos é especialmente preocupante.

Devido ao grande número de patologias que acomete os idosos, esta é a faixa etária mais medicalizada da sociedade. As doenças crônicas e degenerativas, com disfunções de vários órgãos simultaneamente, culminam com pacientes utilizando seis ou mais medicamentos, muitas vezes com prescrições de mais de três médicos, sugerindo falta de comunicação entre eles.

Medicamentos não prescritos e inadequados, inapropriados ou não efetivos, ou terapeuticamente duplicados; medicamentos contraindicados para pacientes idosos e o uso de benzodiazepínicos de longa duração, que contraria os critérios de uso racional, estão entre ocorrências comuns.

Muitas internações estão relacionadas a este uso inadequado de substâncias.

Medidas não farmacológicas, que possam diminuir o uso abusivo de medicamentos, devem ser incentivadas.

Nos EUA e Canadá, todas as receitas são enviadas para uma única farmácia, onde o paciente tem seu cadastro e busca seus remédios. Assim o farmacêutico tem papel fundamental na checagem das drogas prescritas por todos os médicos do paciente.

No Brasil, não temos um sistema integrado de informação médica do paciente.  Há pouca atuação do farmacêutico clínico na comunidade. O médico de ambulatório ou consultório tem um papel fundamental e crítico, e deve fazer uma checagem sistemática das medicações, o que demanda tempo e muito capricho. Além disso, a automedicação, os remédios caseiros, o comprimido para dormir e o remédio que “fez tão bem à comadre”, são nossos vilões,  muitas vezes levando à morte prematura.

Fontes:
http://www.amfar.com.br/apresenta/AulaConciliacaoModif_301108.pdf
https://proqualis.net/entrevista/conciliação-medicamentosa-estratégia-para-evitar-erros-de-medicação-e-aumentar-segurança

Patrícia Rati

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