Os Bajaus e sua Incrível Capacidade de Mergulho

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(Foto: Melissa Ilardo/Fonte: G1)

Uma resposta humana natural ao mergulho é acionada, quando prendemos a respiração e ficamos submersos na água: a frequência cardíaca diminui, temos vasoconstricção periférica para preservar a oxigenação dos órgãos vitais e, finalmente, ocorre uma contração do baço, que é um reservatório de glóbulos vermelhos oxigenados, dando-nos um reforço de oxigênio.

Segundo a pesquisadora Melissa Ilardo, do Centro de Geogenética da Universidade de Copenhague e autora do estudo publicado pela revista científica Cell, o baço é uma espécie de “tanque de mergulho” biológico durante longas incursões debaixo d’água.

O baço não é fundamental à vida. Entretanto, ele ajuda a sustentar o sistema imunológico e recicla os glóbulos vermelhos.

Pesquisas anteriores de Melissa Llardo mostraram que focas, mamíferos marinhos que passam a maior parte da vida debaixo d’água, têm baços desproporcionalmente grandes.

Ela descobriu que o povo Bajau evoluiu, para desenvolver baços maiores com o tempo, facilitando a atividade de mergulho.

Os Bajaus são povos que vivem ao sul das Filipinas, Indonésia e Malásia e estão estimados em 1 milhão de pessoas. Vivem em barcos-casas e viajam de um lugar para outro no Sudeste Asiático, raramente parando em terra firme. Portanto, tiram tudo o que precisam do mar. São conhecidos como “nômades do mar” e sua adaptação provavelmente ocorreu por seleção natural de uma variação de genes.

Foram mencionados pela primeira vez em 1521 pelo explorador veneziano Antônio Pigafetta, que fez parte da primeira viagem de volta ao mundo. São conhecidos por sua alta capacidade de prender a respiração. Mergulham habitualmente 8 horas por dia à procura de crustáceos no fundo do mar, sua fonte de alimento. Seus mergulhos duram de 30 segundos a vários minutos e a profundidade chega a 70 metros. Esses mergulhos profundos são realizados apenas com uma máscara de madeira ou óculos de proteção com lentes feitas de sucata resistentes à distorção pela pressão, e um cinto de peso, para evitar que o mergulhador volte à superfície.

A cientista e sua equipe levaram uma máquina de ultrassom portátil até a Indonésia e ela pediu às pessoas para darem uma olhada em seus baços. Ela comparou mergulhadores e não mergulhadores da comunidade Bajau e todos têm o órgão proporcionalmente maior que os indivíduos das outras comunidades. Em relação aos Saluan, por exemplo, que tradicionalmente levam um estilo de vida agrícola, os Bajaus têm baços 50% maiores.

Os pesquisadores encontraram também uma base genética para a diferença de tamanho. Compararam os genomas dos Bajaus, dos Saluans e dos chineses Han. Os resultados da sondagem genética seletiva revelaram 25 diferenças significativas do genoma dos Bajaus em comparação com os outros grupos.

Sabe-se que os Bajaus se separaram dos Saluan não mergulhadores há cerca de 15 mil anos, tempo suficiente para que desenvolvessem a adaptação aquática.

Rasmus Nielsen, coautor da pesquisa, acrescenta: “É um maravilhoso exemplo de como os humanos podem se adaptar aos seus ambientes locais, mas pode haver algum interesse médico nisso. Queremos entender adaptações à hipóxia, ou seja, a baixos níveis de oxigênio”.

Fontes:
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/o-povo-asiatico-que-evoluiu-um-orgao-do-corpo-para-mergulhar-melhor.ghtml
https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2018/04/bajaus-primeiros-humanos-genetica-dna-mergulho-pesca
-https://marsemfim.com.br/mergulhadores-povo-de-bajau/

Patrícia Rati

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