O “batimento cardíaco” das árvores

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Fonte Imagem: Pixabay

Sempre se pensou que a água se movia através das árvores por osmose, de maneira contínua.

Recentemente, os pesquisadores descobriram que os troncos e galhos das árvores se contraem e se expandem para “bombear” a água das raízes até as folhas, da mesma forma que o coração bombeia o sangue através de nossos corpos.

A única diferença é que a pulsação da árvore é muito mais lenta, “batendo” uma vez a cada duas horas e, em vez de regular a pressão arterial, regula a pressão da água.

“Descobrimos que a maioria das árvores tem mudanças periódicas regulares na forma, sincronizadas em toda a planta … o que implica em mudanças periódicas na pressão da água”, disse à New Scientist,  András Zlinszky, da Universidade de Aarhus, na Holanda.

Em seu estudo de 2017, Zlinszky e seu colega Anders Barfod usaram a varredura com laser terrestre para monitorar 22 espécies de árvores e coletar seus dados dendrométricos (variações do volume das árvores e de suas respectivas partes).

As medições foram feitas em estufas à noite para descartar sol e vento como fatores nos movimentos das árvores.

Em várias árvores, os galhos subiam e desciam cerca de um centímetro a cada duas horas.

Depois de estudar a atividade das árvores noturnas, os pesquisadores criaram uma teoria sobre o que significa o movimento. Eles acreditam que o movimento é uma indicação de que as árvores estão bombeando água para cima de suas raízes. É, em essência, um tipo de “pulsação”.

Zlinszky e Barfod explicam sua teoria em seu mais novo estudo na revista Plant Signaling and Behavior.

“Na fisiologia clássica das plantas, a maioria dos processos de transporte são explicados como fluxos constantes com flutuações insignificantes no tempo”, disse Zlinszky à New Scientist. “Nenhuma flutuação com períodos menores que 24 horas é assumida ou explicada pelos modelos atuais.”

Os cientistas ainda estudam como funciona o movimento de “bombeamento” que descobriram. Eles sugerem que talvez o tronco gentilmente aperte a água, empurrando-a para cima através do tecido vascular das plantas, o xilema, que transporta água e nutrientes das raízes para as folhas e brotos.

Em 2016, Zlinszky e sua equipe divulgaram um outro estudo demonstrando que as árvores das bétulas “dormem” à noite.

Os pesquisadores acreditam que a queda de seus ramos antes do amanhecer é causada por uma diminuição na pressão interna da água da árvore. Sem fotossíntese durante a noite, para conduzir a conversão da luz do sol em açúcares simples, as árvores provavelmente conservam energia ao relaxar galhos que, de outra forma, seriam direcionados para o sol.

Estes movimentos seguem o ciclo dia-noite.

Mas sua nova descoberta é algo completamente diferente, dizem eles, porque os movimentos acontecem em intervalos muito mais curtos e não respeitam o ciclo circadiano.

Fonte:
-https://returntonow.net/2018/04/29/trees-have-a-heartbeat-scientists-discover/

Patrícia Rati

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