Lima Barreto

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Fonte imagem: wikipediacommons

Lima Barreto (1881 – 1922) nasceu no Rio de Janeiro e foi escritor e jornalista.  Mestiço, sofreu preconceito a vida toda. Seus pais eram pobres e sua mãe morreu muito jovem. Com a ajuda de seu padrinho, o Visconde de Ouro Preto, estudou no Colégio Pedro II e começou o curso de Engenharia na Escola Politécnica; porém precisou abandoná-lo, quando seu pai foi internado em um sanatório. Trabalhou como escriturário no Ministério da Guerra e ao mesmo tempo colaborava com vários jornais do Rio de Janeiro para conseguir sustentar-se e aos três irmãos que dependiam dele.

Sua literatura era diferente dos padrões vigentes na época. Empregava a linguagem coloquial, em um estilo despojado, às vezes até panfletário, visando o conteúdo.  Foi severamente criticado nos meios acadêmicos. Seus romances e contos revelavam a vida cotidiana das classes populares, sem a idealização que os outros escritores da época e o público burguês esperavam. Explorava as injustiças sociais e as dificuldades da Primeira República.

Embora conhecesse os autores europeus da moda, preferia os russos como Tolstói e especialmente Dostoiévsky, cujo realismo seguiu de perto.  Em seu livro Cemitério dos Vivos, Lima Barreto faz alusão ao seu autor preferido, descrevendo o ambiente dos hospícios, espaço que ele mesmo conheceu.

Em 1909, publicou o romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha sobre um jovem mulato do interior que sofria com os preconceitos de cor. O Triste Fim de Policarpo Quaresma e Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, seus dois romances posteriores,  também apresentam nítidas características autobiográficas.

Era inquieto, rebelde e não se conformava com a mediocridade, lutava pela salvação do Brasil.  Pretendia transformar a sociedade em algo mais justo e humanitário. Suas depressões e o alcoolismo o levaram a duas internações em hospitais psiquiátricos.

O reconhecimento e consagração de sua obra só aconteceram décadas depois de sua morte.

Lima Barreto foi biografado recentemente pela antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz em Lima Barreto – Triste Visionário (Companhia das Letras).

Obras de Lima Barreto
Recordações do Escrivão Isaías Caminha, romance, 1909
Aventuras do Dr. Bogoloff, humor, 1912
Triste Fim de Policarpo Quaresma, romance, 1915
Numa e Ninfa, romance, 1915
Vida e Morte de M. J. Gonzaga e Sá, romance, 1919
Os Bruzundangas, sátira política e literária, 1923
Clara dos Anjos, romance, 1948
Coisas do Reino do Jambon, sátira política e literária, 1956
Feiras e Mafuás, crônica, 1956
Bagatelas, crônica, 1956
Marginália, crônica sobre folclore urbano, 1956
Vida Urbana, crônica sobre folclore urbano, 1956

Fontes:
https://www.ebiografia.com/lima_barreto/
http://www.passeiweb.com/estudos/sala_de_aula/portugues/lima_barreto

Patrícia Rati

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