Larva Migrans Cutânea (o Bicho Geográfico)

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Fonte Imagem: Pixabay

Cães e gatos têm importante participação no desenvolvimento de infecções parasitárias em humanos devido ao convívio diário, sendo as crianças e os idosos os grupos mais susceptíveis.

Nossos animais de estimação causam zoonoses, aquelas doenças compartilhadas ou transmitidas entre humanos e outros animais vertebrados.

Por isso é tão importante para a saúde pública a prevenção de endoparasitoses caninas através da vermifugação e controle adequado do meio ambiente.

Entre as principais zoonoses, temos a Larva Migrans Cutânea (o Bicho Geográfico), causada pelo Ancylostoma caninum, um endoparasito que se nutre de sangue e que, no animal, o verme adulto se aloja no intestino delgado. Os ovos são liberados pelas fezes no meio ambiente, onde eclodem e evoluem em estádios larvais até se tornarem infectantes. No solo úmido e arenoso (atenção especial deve ser dada a bancos de areia de parques infantis e à areia da praia), as larvas se alimentam de bactérias e podem sobreviver por até 15 semanas.

Nos animais, as larvas são ingeridas e penetram na parede intestinal. Alimentam-se de sangue e causam grande anemia. Também podem penetrar ativamente através da pele e vão em busca de um vaso sanguíneo, para ganhar a corrente circulatória e completar seu ciclo. Podem ficar encistadas e, em cadelas prenhas, as larvas se desenvolvem e chegam à placenta, infectando os bebês que já nascem produzindo ovos nas fezes.

Nas pessoas o que acontece é um pouco diferente. As larvas, que estão no ambiente, principalmente naquela areia que não tem contato com a água do mar, podem penetrar através da pele, particularmente nos pés, e, em crianças, também nos glúteos e coxas. Entretanto, a larva não consegue atingir os vasos sanguíneos, porque o hospedeiro não é próprio dela. Faz um caminho errático, formando linhas tortuosas e vermelhas logo abaixo da pele, causando irritação e principalmente muita coceira.  As lesões são típicas e, associadas à história clínica, conduzem ao diagnóstico.  Podem ocorrer complicações tais como quadros alérgicos às toxinas das larvas ou mesmo infecção secundária à escarificação das lesões devido à coceira intensa.

Fonte Imagem: BrasilEscola

O tratamento é feito com anti-helmínticos sistêmicos, associados ou não a antibióticos e anti-inflamatórios, se houver infecção associada. Depois de dois a três dias de tratamento, haverá melhora dos sintomas.

O importante é a prevenção:
Saiba por onde anda.  Não ande descalço.
Cubra com uma toalha os locais públicos arenosos onde for se deitar ou sentar.
Leve seus animais ao veterinário regularmente.
Não vá a praia com seu animal. Ele pode não estar contaminado, mas pode se contaminar.
Recolha as fezes de seu animal e jogue de forma apropriada no lixo.
Lave cuidadosamente as mãos, depois de recolher as fezes dos animais ou trocar a areia da caixinha dos gatinhos.
Não se automedique. Procure um especialista.

Fontes:
https://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/bicho-geografico-larva-migrans-cutanea/
https://www.mdsaude.com/2013/03/larva-migrans.html
http://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/larva-migrans/78/
-https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/veterinaria/ancylostoma-caninum/52560

Patrícia Rati

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