Elizabeth Jane Cochran (Nellie Bly)

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Nellie Bly – Fonte da Imagem: Wikimedia Commons

Elizabeth Jane Cochran nasceu no dia 5 de maio de 1864, em Cochran’s Mills, uma pequena cidade próxima a Pittsburgh. Seu pai, o juiz Michael Cochran, era rico, mas morreu, quando a menina estava com 6 anos. O segundo casamento de sua mãe, Mary Jane, terminou em um complicado divórcio e mãe e filha mudaram-se para Pittsburgh. Ambas se ocupavam com os cuidados da casa que transformaram em pensão.

Aos 18 anos, Elizabeth escreveu uma carta incisiva ao editor do jornal Pittsburgh Dispatch contra uma coluna misógina chamada “What Girls Are Good For”. O editor George Madden, impressionado com a carta, publicou um anúncio, pedindo que a autora se identificasse.  Quando ela se apresentou, ele lhe ofereceu uma oportunidade de escrever para o jornal sob o pseudônimo com que posteriormente seria mundialmente conhecida: Nellie Bly.

Naquela época, as mulheres escreviam sobre moda, jardinagem ou colunas sociais, mas Nellie falava sobre os pobres e oprimidos. Baseada nas experiências da própria mãe, escreveu sobre as desvantagens das mulheres nos processos de divórcios; e também falou sobre as condições das trabalhadoras de fábricas locais. Seus artigos passaram a incomodar os empresários da cidade, que ameaçaram retirar o patrocínio das páginas do jornal. Pressionada, decidiu ir para o México, para atuar como correspondente, tendo suas crônicas de viagem publicadas no jornal entre 1886 e 1887. Entretanto passou a dar notícias sobre a corrupção no país e a condição dos mais pobres, o que enfureceu o governo e ela acabou forçada a deixar o país sob ameaças de prisão.

Não parou por aí. Foi para Nova Iorque e conseguiu emprego no The New York World. Uma de suas primeiras tarefas foi denunciar as condições em um asilo para mulheres doentes mentais, em Blackwell’s Island, uma ilha próxima a Manhattan.  Maquiada e com roupas adequadas, andou pelas ruas e se apresentou como imigrante cubana. Hospedou-se em um abrigo para mulheres e fingiu-se de doente mental, com gritos de raiva e comportamentos inadequados. Foi levada pela polícia e acabou na ala psiquiátrica do Hospital Bellevue, onde foi avaliada como insana e delirante. Em pouco tempo, estava a caminho de Blackwell’s Island.

Durante dez dias, viveu na sujeira, comendo alimentos estragados ou podres, e passando por abusos físicos – condição diária das pacientes.  Conseguiu ser libertada por um agente do The New York World e escreveu “Atrás das grades do Asilo” e, expondo nele o que viveu, pergunta: – “O que, exceto tortura, produziria insanidade mais rápido do que este tratamento?”

A denúncia e a exposição do que se passava ali causaram grande comoção pública, uma investigação se seguiu e houve uma considerável melhora no tratamento dos pacientes.  Protagonizou muitas outras campanhas sob disfarce, atacando a prisão, lobistas corruptos, e outras histórias. Nellie Bly foi a jornalista mais famosa de sua época e a primeira jornalista investigativa de que se tem notícia.

Entretanto sua maior aventura ocorreria em 1889, quando decidiu tentar quebrar o recorde ficcional do personagem de Júlio Verne no romance “A volta ao mundo em 80 dias” e embarcou em sua viagem ao redor do mundo, usando navios a vapor e ferrovias que às vezes causavam atrasos, principalmente na Ásia.  Deu a volta ao mundo em 72 dias, 6 horas e 11 minutos, um recorde mundial até então.

Nellie casou-se com o industrial Robert Seaman em 1895 e se aposentou do jornalismo, só retornando a ele durante a primeira Guerra, com reportagens sobre o front oriental e sobre a parada sufragista em 1913.

Ela morreu em 27 de janeiro de 1922, de pneumonia.

Fontes:
https://www.britannica.com/biography/Nellie-Bly
http://mentalfloss.com/article/29734/ten-days-madhouse-woman-who-got-herself-committed
https://www.biography.com/people/nellie-bly-9216680
https://estranhosemnome.wordpress.com/2016/01/18/a-historia-de-nellie-bly-
https://estranhosemnome.wordpress.com/2016/01/21/a-historia-de-nellie-bly-

Patrícia Rati

 

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