Deu no NYT: a ciência também precisa de reforma

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Aristóteles lendo (reprodução)

Dos 20 mil genes presentes no nosso DNA, cerca de 5.400 nunca foram objeto de um único artigo. Uma pequena fração — 2.000 deles — tem ocupado a maior parte da atenção e são foco de 90% dos estudos científicos publicados nos últimos anos. Os motivos são vários, e dizem muito sobre como os cientistas fazem ciência. Um deles é que os pesquisadores tendem a se concentrar em genes que foram estudados por décadas — não só porque é mais fácil, mas porque os prêmios e a academia também estimulam isso. O problema é que, nesse ritmo, levaria um século ou mais para os cientistas publicarem pelo menos um artigo sobre cada um dos nossos 20 mil genes. Para especialistas, os cientistas não vão mudar seus caminhos sem uma grande mudança na forma como a ciência é feita — é preciso estimular e reconhecer quem faz apostas verdadeiramente desconhecidas, em vez de seguras. Os questionamentos e mais informações foram publicados no New York Times.

Álcool mata 3,3 milhões , diz OMS.

No Brasil, doença custa R$ 116,8 bi

 Todos os anos, 3,3 milhões de pessoas morrem pelas consequências do consumo excessivo de álcool. O dado, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indica que 5% das mortes do planeta em 2016 (último dado disponível pela OMS) tiveram relação com os hábitos em relação às bebidas alcoólicas. O levantamento considerou todas as consequências geradas pelo consumo de álcool: 29% das mortes, por exemplo, ocorreram por lesões em decorrência de acidentes de carro ou suicídios. De acordo com a OMS, os homens estão mais propensos a sofrerem os danos causados pelas bebidas alcoólicas: 2,3 milhões de pessoas do gênero masculino morreram em 2016.

Além dos homens, os jovens também estão suscetíveis a morrer por conta do consumo excessivo de álcool. Do total de mortes entre pessoas de 20 a 29 anos, 13,5% dos casos têm relação com as bebidas alcoólicas — o que representa 7,2% das mortes prematuras em todo o planeta.  Apesar dos números expressivos, a OMS afirma que a população global está se conscientizando dos riscos do hábito de beber em excesso. Segundo a publicação Galileu, o consumo de álcool diminuiu na Europa: o índice, que era de 10,9 litros de álcool puro por habitante (incluindo as pessoas que não bebem) em 2012, caiu para 9,6 litros em 2016. Tendências semelhantes foram observadas nas Américas.

Ranking – Em todo o planeta, os destilados são o tipo de bebida alcoólica mais consumida, correspondendo a 45% do total. A cerveja vem em segundo, com 34% do consumo.  Alguns dos países com as populações que mais consomem álcool são a Dinamarca, Noruega, Argentina, Alemanha, Polônia, França, Coreia do Sul, Suíça, Grécia, Islândia, Eslováquia, Suécia e Nova Zelândia. Já entre os mais “sóbrios” estão o Paquistão, Bangladesh, Egito, Mali, Marrocos, Senegal, Mauritânia, Síria, Indonésia, Nepal, Butão, Myanmar e Tunísia.

No que diz respeito às mortes associadas a bebida, os países islâmicos (que proíbem o consumo) também se destacam entre os que tem menos casos, se concentrando no Oriente Médio. São eles: Kuwait, Irã, Palestina, Líbia, Arábia Saudita, Iêmen, Jordânia, Síria, Maldivas e Singapura. Os que possuem mais casos fatais estão concentrados na região dos Países Bálticos, do Leste Europeu e da Ásia Central: Rússia, Ucrânia, Lituânia, Bielorrússia, Mongólia, Letônia, Cazaquistão, Lesoto, Burundi e República Centro-Africana.

Brasil – O consumo de álcool per capita no Brasil aumentou 43,5% em dez anos e agora supera a média internacional. Em 2006, cada brasileiro a partir de 15 anos bebia o equivalente a 6,2 litros de álcool puro por ano (medida que leva em conta o porcentual de álcool na bebida). Em 2016, a taxa chegou a 8,9. Com isso, o País figura na 49.ª posição do ranking entre os 193 avaliados. Os dados são da OMS que também estima uma perda de 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, em decorrência de problemas relacionados ao álcool. Ou seja, cerca de R$ 116,8 bilhões em 2017. Incluem-se, entre outros prejuízos para a economia, os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento de doenças associadas ao uso de álcool e às perdas da capacidade de trabalho em decorrência de acidentes de trânsito provocados por motoristas bêbados, desemprego e afastamento do trabalho custeado pela Previdência Social. O 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) estima que 11,7 milhões de pessoas sejam dependentes de álcool no Brasil.

O quanto você tem se exercitado?

Quase metade da população adulta do Brasil — ou 47% — não pratica sequer o mínimo de atividade física recomendada, o que significa que essas pessoas correm risco elevado de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e até alguns tipos de câncer. O dado é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estudou 168 nações em 2016 e publicou uma análise dos resultados na revista Lancet Global Health.

O mínimo de exercício necessário, semanalmente, é 150 minutos de atividade moderada, o que inclui o ato de caminhar e de subir escadas, ou 75 minutos de atividade intensa. As pessoas podem, ainda, misturar os dois tipos de atividade.

O alto índice de sedentarismo no Brasil puxa para cima a taxa média da América Latina, que é de 39,1%. O país do futebol é, entre os latino-americanos, o que tem a população mais parada.

A pesquisa revela que, no mundo, 1,4 bilhão de adultos faz menos exercício do que deveria. E o mais preocupante: o trabalho mostra um aumento significativo, desde o início do século, no índice de sedentarismo em países de alta renda. Essas nações desenvolvidas viram suas taxas de inatividade passarem de 32% em 2001 para 37% em 2016. Já as nações pobres tiveram, no mesmo período, um aumento médio de apenas 0,2 ponto percentual.

A OMS observou ainda que, em todos os países, com exceção de alguns da Ásia, a população feminina pratica menos exercícios do que a masculina. Uma hipótese para explicar isso é o fato de a maior parte do trabalho doméstico ficar a cargo das mulheres, em parte significativa das nações, o que faz com que elas tenham menos tempo para dedicar à prática regular de exercícios.

Em muitos casos, como em nações do Oriente Médio, as mulheres têm dificuldades para realizar exercícios ao ar livre, por exemplo. Além disso, a gravidez e o tempo voltado para os cuidados com os filhos também podem fazê-las se afastar da atividade física.

Theo Souza

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