Chiquinha Gonzaga

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Às vésperas do carnaval, vamos lembrar de Chiquinha Gonzaga, criadora da primeira marchinha de carnaval – “Ó abre alas”, que define não só a festa popular da celebração da transgressão e liberdade, mas também sua autora.

Chiquinha Gonzaga (1847-1935) foi compositora, pianista e a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. Pioneira em muitas frentes, lutou pelos direitos autorais, quando se deparou com várias partituras suas reproduzidas sem autorização em Berlim. É sócia fundadora e patrona da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.

Destacou-se na história da cultura brasileira por sua luta pelas liberdades ao enfrentar com coragem a sociedade patriarcal opressora da época. Incorporou ao seu piano a diversidade da música, sem preconceitos, produzindo uma obra fundamental para a formação da música brasileira.

Casou-se, aos 16 anos, com o promissor empresário Jacinto Ribeiro do Amaral, escolhido por seu pai, que não gostava de música, e ela, inquieta e determinada, se rebelou e abandonou o casamento ao se apaixonar pelo engenheiro João Batista de Carvalho com quem passou a viver.  O escândalo resultou em ação judicial de divórcio perpétuo movida pelo marido, que a acusou de abandono do lar e adultério.  A condição de mulher divorciada era infame.

Chiquinha Gonzaga, maldita pela família, condenada e desgostosa, precisou sobreviver com o que sabia fazer: tocar piano. Ousada, ao compor profissionalmente música de dança para salões, mais uma vez foi inédita naquela sociedade. Inventou um novo papel social para a mulher, de superação pelo trabalho, construção de uma carreira profissional e finalmente a conquista de respeito do público.

Quando estreou no teatro, em 1885, não existia o feminino da palavra maestro.

Audaciosa na música e na vida, participou de todas as causas sociais de seu tempo, denunciando o preconceito e o atraso social.

Aos 52 anos, já consagrada, conheceu João Batista Fernandes Lage, português de 16 anos, que foi seu companheiro até o fim de sua vida aos 87 anos.   Ele é o responsável pela preservação do acervo da compositora.

Fontes:
-http://www.zahar.com.br/sites/default/files/arquivos//t1282.pdf
-http://chiquinhagonzaga.com/wp/biografia/
-https://www.ebiografia.com/chiquinha_gonzaga/

Patrícia Rati

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