Carlos Heitor Cony

0

Fonte Imagem: ABL

Morreu no dia 5 de janeiro de 2018, Carlos Heitor Cony, romancista, escritor, jornalista e colunista da “Folha de São Paulo”, aos 91 anos, no Rio de Janeiro.

Esta informação foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras, da qual ele era membro desde 2000.

Foi um dos escritores mais premiados de sua geração.

Nascido em 14 de março de 1926, na mesma cidade em que morreu, era filho do jornalista Ernesto Cony Filho e de Julieta Moraes Cony. Casou-se seis vezes e teve três filhos: Regina, Verônica e André. Estudou Humanidades e fez o curso de Filosofia no Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio Comprido.

O cronista, conforme o conhecemos, com sua sutileza poética e seus romances tão bem elaborados, tinha dificuldades para falar na infância – chegou a ser considerado mudo até os quatro anos – mas descobriu sua facilidade para escrever e desde então desenvolveu esta forma de se manifestar, para o nosso pleno deleite.

Durante os anos passados no seminário, onde ingressou por vontade própria, estudou os clássicos gregos e romanos, diversas línguas e a música lírica. Ali aprendeu a concentrar-se e habituou-se a manter-se sempre ocupado.

Disse em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras: “Não tenho disciplina suficiente para ser de esquerda, não tenho firmeza suficiente para ser de direita e não tenho a imobilidade oportunista do centro”.

Começou a trabalhar como jornalista em 1952, como redator na Rádio Nacional do Brasil.

Desde o primeiro romance, O Ventre, escrito em 1955, escreveu 16 romances. Prolífico, enveredou por muitos outros gêneros, das biografias à ficção infanto-juvenil, a adaptações de clássicos nacionais e estrangeiros.

Escrevia de maneira compulsiva, de forma acelerada e constante; era um intelectual versátil de humor refinado.

Sua escrita ousada, após o Golpe de 1964, lhe rendeu a fama de engajamento político, o que para ele era apenas seu lado humano. Mas custou-lhe 12 processos e algumas detenções.

Passou um período vivendo na Europa e em Cuba.

E durante trinta anos colaborou com a revista Manchete e dirigiu Fatos & FotosDesfileEle Ela

Sua energia produtiva, que durante estes anos aparecia em crônicas, voltou a se manifestar em romances. Em 1995, escreveu Quase Memória, uma mistura de romance, reportagem e crônica, centrado na figura de seu pai. Depois deste romance, que marca sua volta ao gênero, desfia uma sequência de novos títulos.

Duas de suas citações:

“Na literatura, eu expresso meu espanto. E no jornal, através da crônica, eu sou mais indignado. São atividades para mim completamente separadas.  (…) No romance, está o espanto; na crônica, a indignação.”

“Eu sou pessimista. Considero o otimismo má informação. Só pode ser otimista o sujeito mal-informado. Quanto mais informação você tem, mais você tende a ficar pessimista. Não vou dizer que eu não tenha sido feliz. Dentro da condição humana, procurei ser o mais humano possível. Mas não cheguei lá.”

Fontes:
http://www.valor.com.br/cultura/5247933/veja-bibliografia-de-carlos-heitor-cony
http://www.valor.com.br/cultura/5247891/escritor-e-jornalista-carlos-heitor-cony-morre-aos-91-anos-no-rio
http://www.academia.org.br/academicos/carlos-heitor-cony/biografia
https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/veja-repercussao-da-morte-de-carlos-heitor-cony.ghtml

Patrícia Rati

 

Compartilhar.