As Guerras e a Medicina

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Um dos efeitos mais devastadores das guerras é a infinidade de feridos graves que dependem da equipe de médicos e paramédicos, muitas vezes improvisando, para salvar vidas ou o que restou delas.

O improviso e a urgência, às vezes no campo de batalha, permitiram que a medicina se desenvolvesse em grandes saltos. Possibilitaram tratar e minimizar lesões, e avaliar órgãos expostos pela peculiaridade da região atingida.

Foi no período da Primeira Guerra Mundial que tiveram início as cirurgias estéticas, para a reconstrução do rosto de soldados feridos.  O Dr. Harold Gilles, médico e soldado, depois de presenciar a luta de um dentista para reconstruir a arcada dentária de seus pacientes feridos por tiros, pressionou as autoridades para iniciarem reconstruções faciais no Hospital Militar de Cambridge. Com o sucesso inesperado de sua abordagem, em 1917, foi aberto o Hospital The Queen, dedicado exclusivamente a este tipo de tratamento.  Dr. Gilles desenvolveu técnicas para tratar pacientes gravemente desfigurados, permitindo a eles uma vida plena de volta ao normal.

Nos hospitais de campanha da Guerra do Vietnã, médicos descreveram pela primeira vez o pulmão de choque. Essa condição de excesso de aporte de sangue ou soro que acaba por se infiltrar nos pulmões, frequente naquela condição de guerra, ensinou aos médicos como lidar com volumes de soro e de transfusões.

Muitos pacientes com histórias semelhantes, em um mesmo  hospital de campanha com recursos limitados, acabam justificando o uso de técnicas incipientes ou arriscadas.   Segundo José Maria Orlando, médico intensivista e autor do livro “Vencendo a morte – Como as guerras fizeram a medicina evoluir”, os campos de batalha são laboratórios a céu aberto para a ciência médica”. Em seu livro, conta que o soro fisiológico diretamente na veia foi um dos avanços da medicina durante a Primeira Guerra Mundial; e que, durante a Segunda Guerra Mundial, o exército alemão executava os soldados que apresentassem estresse pós-traumático.

Também na Segunda Guerra Mundial, as sulfas e a penicilina foram utilizadas com sucesso,  para tratar doenças venéreas e ferimentos. Cirurgias vasculares possibilitaram melhores resultados nos procedimentos de amputação. Bancos de sangue, hemodiálise, assim como ambulâncias, e resgates aéreos surgiram nessa época.

Uma interessante matéria veiculada pelo globo mostra como o Dr. William Beaumont, cirurgião do exército em 1922, cuidou de um comerciante ferido acidentalmente com um tiro no abdome, com lesão de costelas e músculos, e perfuração do estômago. A ferida não cicatrizava e formou-se uma “fístula gástrica”,  que  Beaumont precisava limpar e cuidar diariamente.

Ele percebeu a oportunidade de realizar experimentos de fisiologia, introduzindo diferentes alimentos e avaliando as etapas da digestão.

Muito se aprendeu com seus estudos, apesar das questões éticas levantadas na época.

Veja a matéria na íntegra aqui.

Outras fontes:
http://www.telegraph.co.uk/history/9396435/Pioneering-plastic-surgery-records-from-First-World-War-published.html
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/06/1778220-livro-conta-como-guerras-fizeram-a-medicina-evoluir.shtml

Patrícia Rati

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