Arte e Exposição de Animais

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Fonte Imagem: Pixabay

Existem centenas de grupos defensores dos direitos dos animais pelo mundo todo.  Campanhas de denúncias de maus-tratos aos animais ocorrem por toda parte e ninguém é indiferente ao tema.

Em fevereiro deste ano, o transporte de bois no porto de Santos foi impedido depois que ativistas bloquearam a entrada dos caminhões com a carga viva, que já vinha debilitada. Segundo um funcionário do navio, é comum que nos quinze dias de viagem pelo mar, cerca de 10% dos animais acabe morrendo e há apenas um veterinário para cuidar de 2,7 mil animais.

Nos EUA, foram criadas leis para impedir o chamado “ecoterrorismo”. As leis proibiram, em alguns estados, que se filmasse ou fotografasse em fazendas ou criadouros sem autorização, alegando que os ativistas usam as imagens de maneira abusiva e fora da realidade. Ao atingirem a mídia, causavam um desastre às corporações agrícolas. Entretanto, essas leis são inconstitucionais porque podem promover o abuso de animais e abrir as portas para a insegurança alimentar.

O que nos parecia lugar-comum, como ver os animais que amávamos no circo, no zoológico, lidar com cobaias e sapos nos biotérios dos ginásios e faculdades, era considerado normal.  A consciência do sofrimento dos animais nesses processos surgiu com a explosão da mídia e das redes sociais, quando o mundo se tornou uma aldeia e fomos capazes de nos comunicar, discutir e trocar ideias. Ampliamos o pensamento e temos liberdade e autonomia para contestar e reagir ao que nos parece abusivo ou cruel.

A arte tem mostrado performances e exposições com brutalidades contra animais absurdas, como se fosse preciso maltratar para expressar a violência do mundo. Os ativistas não têm permitido.

O Museu Guggenheim por exemplo, retirou obras da exposição “Art and China after 1989: Theatre of the World” que foi apresentada em outubro de 2017. Em uma das obras, um vídeo criado em 2003 pelo artista Sun Yuan and Peng Yu, intitulado “Dogs That Cannot Touch Each Other”, dois pares de pitbulls são colocados frente a frente em esteiras que os obrigam a se mover continuadamente, mostrando nítido estado de exaustão dos animais.

O Museo  Jumex, na Cidade do México, cancelou a exposição de arte com sangue e carcaça de animais do artista performático Hermann Nitsch, que estava prevista para fevereiro de 2015. O artista alegou que o último animal sacrificado ao vivo em seu teatro foi em 1998, e o que o abate foi realizado por um açougueiro profissional e sob vigilância de um veterinário com a autorização do governo.  Sua performance, que já foi encenada 130 vezes desde 1962, sofreu fortes críticas de ativistas.

No Brasil, corujas vivas ficavam amarradas para entreter o público da exposição “Casa dos Bruxos” com cenários do Harry Potter no shopping Eldorado que começou em fevereiro de 2018. Apesar de alegarem que as corujas estavam confortáveis, elas foram retiradas após os protestos.

Outros exemplos são os galos calçando tênis e aparentemente dopados, na peça “4”do diretor argentino Rodrigo Garcia, no festival Mirada de Santos em 2016, e um cavalo de verdade que estava exposto no palco ne peça “ Eu não sou bonita” da atriz e dramaturga espanhola Angélica Liddell, durante sua apresentação na Mostra Internacional de Teatro de São Paulo em 2014.

O Artista Nuno Ramos, em 2010, confinou três urubus no vão central da Bienal em sua obra “Bandeira Branca”.

Animais que dificilmente ocupariam o mesmo espaço, predadores amontoados (cobras, escorpiões, caranguejeiras, galos de rinha e cachorros da raça pitbull) foram reunidos na obra audiovisual do artista Adel Abdemessed “Usine” em setembro de 2014, na exposição de arte “Made by… Feito por Brasileiros” sediada no antigo Hospital Matarazzo. O autor, de origem argeliana, filmou no México, já que no Brasil, a promoção de brigas entre animais é considerada crime desde 1934. Rosangela Ribeiro, diretora da World Animal Protection no Brasil explicou: “É uma violência provocada, não é o que encontraríamos normalmente na natureza, não há nenhum valor educacional ou qualquer autenticidade.  A crueldade e a violência nunca devem ser consideradas arte”.

Desde 1934, em nossa constituição temos Medidas de Proteção aos Animais.

O Decreto nº 24.645, de 10 de Julho de 1934, de Getúlio Vargas, que estabelece essas medidas determina quais atitudes devem ser consideradas como maus-tratos.

Alguns exemplos:
– Abandono, espancamento, mutilação, envenenamento;
– Manter preso permanentemente em correntes;
– Manter em locais pequenos e sujos ou sem ventilação;
– Não abrigar do sol, da chuva e do frio;
– Não dar água e comida diariamente;
– Negar assistência veterinária;
– Obrigar a trabalho excessivo ou superior a sua força;
– Capturar animais silvestres;
– Utilizar animal em shows que possam lhe causar pânico ou estresse;
– Promover violência como rinhas de galo, farra-do-boi, etc..

E a Lei Federal 9.605/98 – dos Crimes Ambientais, considera maus tratos um crime com penalização.
A PEA (Projeto Esperança Animal) é uma Entidade Ambiental que foi criada para conscientizar e facilitar a denúncia de maus tratos a animais. É importante se certificar que a denúncia é verdadeira. Porque falsa denúncia também é crime.

Fontes:
https://www.publico.pt/2017/09/26/culturaipsilon/noticia/obras-de-arte-com-animais-retiradas-de-exposicao-por-promoverem-crueldade-1786777
-http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2018/02/1958498-corujas-vivas-causam-polemica-em-exposicao-de-harry-potter-em-shopping-de-sp.shtml
https://blogdoarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2018/03/01/chega-de-maltratar-animais-com-a-desculpa-de-fazer-arte/
https://noticias.r7.com/internacional/fotos/museu-mexicano-cancela-exposicao-de-arte-com-sangue-e-carcaca-de-animais-apos-protesto-de-ativistas-07022015#!/foto/2
-https://anda.jusbrasil.com.br/noticias/166357003/museu-cancela-exposicao-de-arte-com-sangue-e-carcaca-de-animais-apos-protesto-de-ativistas
https://www.worldanimalprotection.org.br/not%C3%ADcia/obra-na-exposicao-feito-por-brasileiros-promove-maus-tratos-animais
https://www.anda.jor.br/2017/10/eua-expor-maus-tratos-crime-maltrata-los/
-http://www.pea.org.br/denunciar.htm

Patrícia Rati

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