Anita Malfatti, cem anos de sua estreia

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O Farol, pintura de Anita Malfatti realizada em 1915 e agora em mostra no Museu de Arte Moderna

Uma retrospectiva celebra os cem anos da primeira mostra de arte moderna do país, a mostra mais radical de Anita Malfatti, no MAM.

Anita Catarina Malfatti – São Paulo – (1889 – 1964)  foi pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora.  Devido a uma atrofia congênita do braço e mão direitos, desde que iniciou seus estudos artísticos com a mãe, Bety Malfatti, utilizou a esquerda para pintar.  Morou na Alemanha entre 1910 e 1914, quando frequentou por um ano a Academia Imperial de Belas Artes, em Berlim, e conheceu a arte dos museus, e se dedicou ao estudo da gravura.

Viveu a efervescência do expressionismo, que mobilizava a produção artística do país. Apesar do contato com a agitação modernista, seus trabalhos daquela época eram ainda bastante tradicionais.  O interesse pelo novo ocorreu nas aulas particulares com o professor Fritz Burguer-Muhlfeld, que era ligado ao pós-impressionismo alemão e lhe ofereceu novas possibilidades artísticas.

Em 1912, Anita visitou uma retrospectiva de arte moderna em Colônia e já estava, então, familiarizada com a nova estética. Seus trabalhos dessa época mostram cores mais expressivas, maior movimentação e maior dinâmica. Esses quadros foram expostos em sua primeira individual em São Paulo, em 1914.

Em 1915, Anita foi para os Estados Unidos estudar com Homer Boss na Independent School of Art.  Ali, desenvolveu ainda mais a liberdade modernista. Criou seus trabalhos mais conhecidos, O Farol (1915), Torso/Ritmo (1915/1916) e O Homem Amarelo (1915/1916). Estas e outras pinturas fizeram parte de sua segunda individual – Exposição de Arte Moderna, em 1917,  que teve repercussões controvertidas e decisivas para sua carreira.

Por um lado, a repercussão animou e aproximou um grupo de artistas e intelectuais, que formaria o Grupo dos Cinco e, em 1922, realizaria a Semana de Arte Moderna. Por outro lado, ela se transformou em alvo de violentas críticas às linguagens modernas das vanguardas europeias. Monteiro Lobato, no artigo A Propósito da Exposição Malfatti, mais tarde transcrita em livro com o título Paranoia ou Mistificação?, considerou um desperdício do talento de Anita, que se entregara a estrangeirismos deslumbrados.

Depois da exposição de 1917, Anita se aproximou novamente da linguagem mais tradicional e seus trabalhos se tornaram mais realistas.

Encorajada pelo grupo que iria realizar a Semana de Arte Moderna, em 1921, Anita voltou a se interessar pelos trabalhos de vanguarda. O grupo dos Cinco era formado por Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Menotti del Pichia, Mário de Andrade e Anita Malfatti, que expôs 20 trabalhos, entre eles O Homem Amarelo

Alguns consideraram seus trabalhos os melhores dentre os dos artistas da Semana da Arte Moderna.

No ano seguinte, 1923, conquistou finalmente a bolsa do Pensionato Artístico do Estado, para estudar em Paris, onde foi aluna de Maurice Denis e manteve contatos com Fernand Leger, Henri Matisse e outros. Ao voltar ao Brasil, lecionou desenho e pintura.

Na década de 1930, interessou-se por temas regionalistas e pelas formas tradicionais. Sem negar o modernismo, optou por uma pintura mais fluente, descompromissada, mas bem-feita. Na 4ª Bienal Internacional de São Paulo, ganhou uma retrospectiva do seu trabalho.

Foi a última homenagem que recebeu em vida.

Patrícia Rati

Leia mais:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/02/1856084-retrospectiva-celebra-os-cem-anos-da-mostra-mais-radical-de-anita-malfatti.shtml
http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,com-70-obras-mostra-no-mam-percorre-a-trajetoria-de-anita-malfatti,70001652650
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8938/anita-malfatti

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